O mais rapidamente possível… Pois.

No início era um barulhinho estridente do ZX a carregar código a partir de uma cassete e, muitas vezes, o pesadelo passados 5 minutos: “R – Tape Loading Error”.

 

Depois eram as disquetes de 5″ 1/4 e depois de 3″ 1/2 que eram lidas e escritas e o barulhinho era mais suave. E o pesadelo era “Can not read from sector 0x32d2c0. Please insert new disk in Drive A:”

 

No monitor, desfilavam nomes de ficheiros, fosse DOS ou Unix (e depois Linux). Mais tarde, ainda só com letrinhas, alguém se lembrou de ir acrescentando “.” (pontos) por ali fora, à medida que a coisa era lida ou escrita: “Instaling………………………………………….”, numa infindável linha de 80 caracteres em verde ou ambar.

 

Depois do Jobs ter ido ao PARC da Xerox, e do Gates ter achado piada e copiado, eram umas barras (modo gráfico) que iam enchendo um recipiente horizontal até ao fim. No fim nem sempre a coisa estava pronta(!). Mas pronto, sabia-se qualquer coisa…

 

E as barrinhas acompanharam o crescimento da minha geração de “informáticos” (seja lá o que isso for, informáticos). Passaram a simular 3D, cantos arredondados, bonequinhos animados… Tudo a ocupar ciclos de processador que poderiam ser usados para fazer a instalação mais rapidamente.

Mas agora…

 

Agora… os programadores de Microsoft tentam parecer mais programadores da Apple. Amiguinhos da malta. Não interessa o que a maquineta está a fazer… faz-se (!) uma comunicação calorosa, mais humana, como se dentro da maquineta estivessem “eles”, uns quaisquer que sabem da coisa, da maquineta, e estão a fazer coisas complicadas, que não são para nós, os… “utilizadores”.

 

“Estamos a instalar”.

 

“Estamos a preparar o seu ambiente de trabalho”.

 

“Estamos a tornar o seu computador mais seguro”.

 

E, inevitavelmente: “A configuração pode demorar uns minutos”. “Aguarde”. “Não desligue a maquineta”…

 

Mas hoje, sim, hoje, porque não pego em novos sistemas operativos sem a devida quarentena, hoje, diz a maquineta, ou o tipo que a Microsoft meteu lá dentro, vindo por um fio da Vodafone que por lá esta: “Está a demorar mais do que o esperado, mas vamos fazê-lo o mais rapidamente possível”. Uma mensagem quasi-humana. Quasi-simpática.

 

MAS EU SEI QUE DEMORA SEMPRE MAIS DO QUE O ESPERADO.

 

SEMPRE.

 

NUNCA DEMOROU MENOS DO QUE O ESPERADO (a não ser quando “dá erro” a meio).

 

Mas quero saber o que está a acontecer!

 

Mas que raio é que o homenzinho da Microsoft (ou da Apple) que está lá dentro está a fazer?

 

(ou serão vários homenzinhos? A mensagem está no plural… Imagino a equipa de projecto de um simples reboot ao PC reunida na segunda DIMM a olhar para um PowerPoint, com o gestor de projecto aos gritos a perguntar “Porque é que isto atrasou? Onde está o cronograma inicial? Mas não se mitigaram os riscos? Mas vocês andam a fazer o quê lá no cliente?”, o financeiro “Mas quando é que se pode facturar?”, o Field Engineer a pensar (porque não se atreve a dizer em voz alta), “estes cromos do Desenvolvimento… se estivessem todos os dias a aturar utilizadores é que era”, o tipo do Desenvolvimento a dizer, com os auriculares pendurados no pescoço “Bom, parece que precisamos de mais uns 8 processadores e 128Gb de RAM para fazer isto O MAIS RAPIDAMENTE POSSÍVEL” ).

 

Não, não deve ser assim. Deve ser mesmo um homenzinho que lá está dentro e, com o tempo está mais simpático; não diz tudo o que está a fazer, tranquiliza o utilizador, e vai fazendo o que pode com aquilo que tem. São formas de estar que vêm com a idade.

 

Mas IRRITAM-ME! “Está a demorar um pouco mais do que o esperado”??????? Mas estou-me a esforçar, sr. utilizador: “vamos fazê-lo o mais rapidamente possível”!!! O QUÊ QUE ESTÁS A FAZER, HOMENZINHO-MAQUINETA? O QUÊ?

 

(nem sequer era um reboot. Foi um logout de um utilizador e login com outra conta. Demorou 20 minutos. Windows 10.)

Paulo Brandão
Consultor
paulo.t.brandao@gmail.com

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